Todos iguais ou todos diferentes?

11 Abril 2016 / Por teresa umbelino

Como tutora de vários cães, sempre aspirei a tratá-los todos da mesma forma, ou seja com igualdade. Com o passar dos anos e com o aumento da minha experiência, passei a acreditar que a igualdade não é necessariamente o melhor caminho. Aliás, hoje em dia trato todos os meus cães de forma escandalosamente diferente!

E porque é que havemos de discriminar cães que vivem debaixo do mesmo tecto? Simples, porque são indivíduos diferentes, com necessidades distintas e individuais, e tratar todos no meio termo não satisfaz as necessidades individuais de cada um!

Claro que os meus cães têm pontos em comum nas suas vidas: Comem mais ou menos às mesmas horas, passeiam muitas vezes em conjunto, recebem atenção simultaneamente e por vezes jogamos jogos em conjunto. E fazemos muitos programas que incentivam as boas interações e fortalecem as relações de cumplicidade, como um simples jogo de tug com uma corda com várias pontas, que vários cães podem utilizar ao mesmo tempo, ou os passeios pelo campo onde há atividades que agradam a todos. E claro, há sempre valor numa boa sessão de mimo com vários cães enroscados no sofá. E as regras da casa são as mesmas para todos.

Mas todas estas atividades em família não colmatam a necessidade que o Trigo tem de sentar os 45kg ao meu colo, ou a vontade que a Pitanga tem de apanhar bolas de ténis que eu lhe atiro. Também não satisfaz a necessidade que a Menta tem de trabalhar comigo sem outros cães à volta ou os ataques de mimo que a Romã tem as 4h da manhã. E enquanto a Pitanga e a Menta gostam do ocasional passeio pela baixa de Lisboa, para a Romã essa sempre foi uma atividade pouco apetecível. Se a Romã e a Pitanga sempre agradeceram um belo kong recheado e congelado, a Menta não aprecia usar os kongs e prefer os pickle pocket. Também há gostos diferentes e necessidades alimentares distintas. Níveis de energia diferentes. Diferentes formas de expressar afeto. Ou seja, diferentes indivíduos!

Falar em dar diferentes atividades a diferentes cães no mesmo seio familiar, levantou recentemente uma excelente questão: Como satisfazer as necessidades individuais de um cão sem que isso cause frustração nos outros elementos do grupo? Para podermos fazer discriminação, temos que planear as atividades e conjugá-las de forma a não causar stress, frustração ou sentimentos negativos nos cães que não participam em determinada atividade. Para isso, basta planear outras alternativas para os restantes cães. Se a Romã e a Pitanga comem um kong, posso dar um Pickle a Menta ao mesmo tempo. Se quero levar a Pitanga e a Menta à baixa de Lisboa, a Romã pode ficar em casa entretida com um kong e no regresso trocamos – vai a Romã ao passeio e ficam as outras duas entretidas com um kong e um pickle (porque a Menta não aprecia os kongs!) Outras vezes, simplesmente dar escolha aos cães será suficiente. Ontem de manhã a Pitanga e a Menta tiveram um programa em conjunto. À tarde, surgiu a hipótese de ir à praia. Quando perguntei “Vamos à rua?” a Menta levantou-se com um pulo, e a Pitanga abriu meio olho, grunhiu e voltou a dormir. A Pitanga simplesmente ficou em casa a descansar. Quando voltámos, a Menta estava mais cansada e preferiu ficar em casa enquanto a Pitanga foi dar uma volta mais pequena ao quarteirão.

Então como encontrar o equilíbrio? Simples. Em primeiro lugar, podemos identificar quais são as atividades que todos os cães da família gostam e podem desfrutar em conjunto. Depois, identificar atividades que cada um aprecie individualmente mas que não satisfazem todos os cães, ou não podem por algum motivo ser realizadas em conjunto. Pensar em alternativas para os cães que não participam numa determinada atividade, e nunca esquecer que lhes podemos e devemos dar hipótese de escolha! Por fim, é apenas uma questão de conjugar os dois tipos de atividades e integrá-las no dia a dia da melhor forma possível, sem causar frustração a nenhum elemento canino da nossa família.

Sobre o Autor

teresa umbelino