Aos tutores dos cães amigáveis

11 Julho 2018 / Por teresa umbelino

Caro Tutor de um cão amigável que está solto,
Este texto poderia ser um desbobinar de motivos legais pelos quais o seu cão não pode estar solto. Mas prometo-lhe que não é! Aliás, daqui para a frente, não vai mais ler a palavra “Lei”. Rogo-lhe que leia, e tente pelo menos abrir a sua cabeça e coração de forma a poder ponderar os motivos que me levam a escrever este texto.
Deixe começar por lhe dizer que eu também tenho o prazer de ter cães amigáveis e que nada me dá mais prazer que os ver desfrutar da sua amigável liberdade em locais onde possam esticar as patas. Digo-lhe mais, os meus cães estão frequentemente soltos em locais públicos! Para que não restem dúvidas disso mesmo, basta olhar para a foto desta nota, em que estão sem trela na praia!
Pergunta-se então qual o motivo de me sentar a escrever hoje sobre cães soltos. O motivo é o seguinte “A minha liberdade acaba onde começa a dos outros”.
Todos nós sabemos que há n locais onde há encontros caninos, em que os cães brincam amigavelmente soltos, sem que haja qualquer problema. Aliás, se eu estiver num parque, com os meus cães amigáveis a brincar soltos com mais 7 cães amigáveis naquele local onde
com muita distância facilmente se pode ver que há cães soltos, qualquer Tutor que se aproxime de trela a reclamar por termos os restantes cães soltos, será provavelmente mandado à Fava. Isto porque a mais de 100m, é perfeitamente visível que há um encontro sem trela a decorrer e qualquer um se pode facilmente desviar, sem entrar sequer no raio de ação do grupo amigável. E aqui, sou a primeira a dizer “A minha liberdade acaba onde começa a dos outros” e isto vale para cada um de nós, então porque raio é que alguém se desvia do seu caminho apenas para limitar a minha liberdade???Mas há situações, Caro Tutor, e que não é bem assim. E vou descrever algumas situações que já vivi pessoalmente, para melhor explicar o meu ponto de vista:
Já me aconteceu a Romã cortar uma pata profundamente durante um passeio. No regresso frenético ao carro, para a levar ao hospital e ela poder ser suturada, encontrei-me com um cão amigável solto. Ora, eu estou em stress porque tenho uma cadela a perder sangue. A Romã está em stress, porque está com dores na pata e tem que andar até ao carro e tem a sua humana em stress. A ÚLTIMA coisa que nós queremos é um cão, mesmo que amigável, aos pulos à nossa frente a tentar brincar. Quando eu pedi a este tutor que prendesse o seu cão, eu não estava a ofender ou a duvidar do quão amigável o seu companheiro peludo era, eu simplesmente queria aceder o mais rápido possível a cuidados médicos e este cão estava a atrasar esse processo.
Também já me aconteceu estar a tentar ajudar um ser humano a ultrapassar a sua fobia de cães, através da ajuda da Pitanga. E aí Sr. Tutor, aparecer um cão amigável solto colocou em causa a vida de um ser humano, que neste caso teve um ataque de pânico e fugiu para a estrada (felizmente calma e sem carros a passar)! Mais uma vez, não duvido que o seu cão seja amigável, mas a sua vontade de dizer olá à Pitanga pôs em perigo a vida de um ser humano!
Há ainda a história triste do cão que vi morrer atropelado. Um tutor passeava o seu cão não amigável de trela. Ao ver um cão amigável solto, e perante a resposta de “ele é bonzinho”, por parte do outro tutor, optou por atravessar a estrada, e o cão amigável solto tentou segui-lo, apenas para morrer debaixo de um carro.
E por fim, Sr. Tutor, temos a clássica história do cão que vem de trela com o seu tutor, que para assim que vê um cão amigável solto. Ouve o clássico “ele não faz mal” enquanto o cão amigável se aproxima e mal tem tempo de dizer “mas o meu faz!!!!” e o cão amigável acaba no veterinário, porque na ânsia de fazer um novo amigo, cumprimentou o cão errado.
Há ainda cães que têm medo, cães que estão em treino, cães que estão doentes e que por essa razão naquele momento precisam de mais espaço e menos interação… Mas na verdade, na maior parte das vezes que um tutor de outro cão lhe pede que prenda o seu, não é por duvidar que o seu cão é amigável, é por querer manter a integridade do seu cão amigável!!!
Por isso, Sr. Tutor do cão amigável que está solto, por favor pondere o seguinte:
Se está numa zona onde outros não podem evitar passar, ou que o seu cão não seja claramente visível a grande distância, cada vez que alguém se aproximar na sua direção, com ou sem cão, chame o seu cão e segure-o. Depois pode calmamente avaliar se precisa de pôr a trela ou se o pode voltar a soltar. Desta forma, mantém a sua liberdade e a do seu cão, sem a impôr a terceiros, que por razões que podemos nem imaginar podem prejudicar grandemente alguém.
Quando os meus cães estão soltos, a CADA humano, cão ou pessoa que se aproxime, eu chamo, recompenso, seguro os meus cães e avalio a situação. E faço-o mesmo que esteja dentro de um Dog Park, para que o cão que quer entrar o possa fazer com espaço e ao seu ritmo. Não custa nada, melhora a chamada do seu cão, aumenta a segurança de todos e facilita a boa cidadania.

Sr. Tutor do cão amigável que está solto no parque, eu acredito que sim, que o seu cão é amigável. Acredito que o Sr. Tutor é um tutor experiente que conhece e controla o seu cão. Mas recorde-se que eu posso também ter as minhas razões e posso não ter tempo de as explicar naquele segundo. Com certeza o farei se me der tempo. Mas acima de tudo, por favor recorde-se:
“A minha liberdade acaba onde começa a dos outros”.

Obrigada,

Teresa Umbelino,
Tutora de 3 cães amigáveis que por vezes estão soltos no jardim

Sobre o Autor

teresa umbelino

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