Arrendar casa quando se tem cães (ou gatos…)

11 Julho 2018 / Por teresa umbelino

A vantagem de alugar casa é que facilmente podemos mudar de rua, freguesia, cidade ou mesmo distrito sem deixar para trás inúmeros afazeres. A desvantagem é que volta e meia, calha que é preciso procurar um sítio novo para viver.
Nos últimos 9 anos e meio, desde que tenho a Pitanga, tenho sempre vivido em apartamentos arrendados. Tenho também tido a sorte de ter conseguido sempre arrendar a amigos ou amigos de amigos, que facilmente percebem que as ruivas não são bichos carpinteiros em versão XXXXXXXXXL, sempre à caça de um momento para destruir um prédio inteiro. E confesso, até agora sempre foi fácil arranjar casa com elas.
Agora, ao fim de 9 anos e meio, estou pela primeira vez à procura de casa sem ter amigos ou amigos de amigos a quem arrendar, resolvendo assim o drama do “tenho cães grandes”. Mas pensei, os tempos evoluem, as mentalidades mudam e neste momento os senhorios já não podem discriminar quem tem animais, desde que estejam dentro do previsto na Lei.
Ao longo do último mês, percebi que a realidade ainda não é a que está “no papel”. A verdade é que ainda não é fácil arrendar quando se tem família de 4 patas. A palavra “cão” tira sorrisos durante as visitas. “Cães” transforma expressões, deixando-as bem carregadas. Depois o “grandes” ou “25kg” mata qualquer hipótese de arrendamento. Aparecem imediato outras propostas que também vão ser analisadas e…. Lá ficamos nós de fora. Não importa que explique que são adultas, que sempre viveram em apartamento, que não ficam sozinhas em casa pois vão comigo para o trabalho. Não interessa o historial em intervenções assistidas, as demonstrações em locais fechados ou o facto de eu ter formação e dedicar a minha vida ao treino e comportamento. Até agora, as ruivas têm sido a limitação para arrendar.
Mudei de critério, de localização e de abordagem já várias vezes, sempre com o mesmo final. (Vá, também há os casos em que bati com o nariz na porta porque a casa já tinha sido arrendada, ou até o esporádico caso em que as ruivas foram aceites, mas eu não aceitei viver em condições tão más). A única coisa que não tentei foi mentir e fingir que não tenho ruivas de 4 patas na minha vida, e não o vou fazer, porque não consigo depois propriamente “escondê-las” dos vizinhos!
Neste momento, estou a montar o CV delas, e a pedir referências a antigos senhorios, na esperança que alguém olhe e se convença que no final do arrendamento a casa vai estar não só de pé, como livre de danos caninos. Infelizmente, em Portugal ainda temos um longo caminho a percorrer no sentido da educação das pessoas, e sim dos cães.
Falta explicar que mesmo um cachorro pode não destruir nada em casa e pode não incomodar vizinhos. Falta explicar aos tutores como o fazer com sucesso, para que comecem a existir mais cachorros que provem que cão não é sinónimo de destruição. Falta continuar a percorrer o longo caminho, para que em breve, arrendar casa não seja diferente de arrendar casa com cão. Ou cães. Grandes!!!!
Da nossa parte, vamos continuar a dar o nosso melhor para educar, informar e formar cada vez mais bons cães e tutores. E até ver, vamos continuar também a procurar casa até um senhorio confiar em nós!

Sobre o Autor

teresa umbelino

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